Almeida Garrett
João Baptista da Silva Leitão de Almeida, mais tarde visconde de Almeida Garrett, foi um escritor, dramaturgo, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
Nascido no Porto, no dia 4 de Fevereiro de 1799, este foi um dos grandes impulsionadores do teatro português, marcando fortemente o período romântico nacional e propondo a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
A sua infância foi passada na Quinta do Sardão, que pertencia ao seu avô materno José Bento Leitão, em Oliveira do Douro, localizada em Vila Nova de Gaia. Contudo, a sua adolescência fora passada na Ilha Terceira, nos Açores, devido à invasão Napoleónica.
Como sabemos, Almeida Garrett foi uma das figuras mais icónicas das lutas liberais em território lusitano. Assim, após a sua participação em 1820, seguiu para o exílio em Inglaterra em 1823, após a Vilafrancada. Anteriormente havia casado com Luísa Midosi, uma jovem de apenas 14 anos que tinha engravidado. Foi então quando posto em contacto com o mundo inglês que começara a interessar-se pelo movimento romântico, através do conhecimento de autores como Shakespear e Walter Scott. Visitou assim inúmeros castelos feudais, ruínas de igrejas e abadias góticas, elementos que se viriam a reflectir na sua obra.
No ano de 1824 partira para França, momento no qual escrevera os conceituados poemas “Camões” e “Dona Branca”, regressando a Portugal em 1826. Neste período dedicara-se ao jornalismo, fundara o jornal diário “O Português” e o seminário “O Cronista”.
Devido ao regresso de D. Miguel, Garrett tivera de deixar Portugal novamente em 1828, ano em que perdera também a sua filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra publica “Adozina” e, juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, participara no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto. Fora também fundador do Jornal “Regeneração”.
A posterior vitória liberal permitira que este se instalasse em Portugal definitivamente, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, momento no qual contacta com as obras de Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal destacara-se como orador, sendo que, apesar disso, com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral, Garrett tivera de se afastar da vida política até 1852. Contudo, em 1850, subscrevera um protesto contra a proposta sobre a liberdade da imprensa, vulgarmente conhecida como “lei das rolhas”.
Sabemos que Almeida Garrett fora um dos mais versáteis escritores portugueses, tendo-se observado manifestações importantíssimas deste nos três domínios literários.
Sob ponto de vista dramático, este dera inicio ao período de regeneração do teatro português, levando à cena “Filipa de Vilhena”, “Um Auto de Gil Vicente” e “O Alfageme de Santarém”. Contudo, a sua obra-prima surgira apenas de 1844, intitulada “Frei Luís de Sousa”. Todas estas peças marcaram o ponto de viragem da literatura portuguesa, não só sob ponto de vista temático mas também por privilegiarem o espírito patriótico e a nossa história. Também a naturalidade dos diálogos fora uma mudança, tendo esta tido o seu maior manifesto na obra “Falar Verdade a Mentir”.
O primeiro volume de “O Arco de Santana”, romance histórico inspirado por “Notre Dame de Paris”, de Victor Hugo, marca então o início de Almeida Garrett na prosa. A história manifesta assim a recriação do ambiente medieval da Invicta e rompe com as convenções anteriores, passando a haver uma aproximação da linguagem correntemente falada. Posteriormente “Viagens na minha terra”, transporta uma nova vertente da escrita de Garrett, na qual expressa impressões de viagem, de arte, paisagens e costumes que se unem a uma novela romântica, na qual entramos em contacto com factos contemporâneos do autor.
No âmbito da poesia, o escritor não fora menos aclamado. A liberdade da metrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação extremamente subjectiva foram então as suas maiores inovações. A sua obra fica então marcada por “Flores Sem Fruto” e “Folhas Caídas”, que introduzem um novo espírito mais simplório na poesia nacional. Aliados a estes dois expoentes máximos da poesia portuguesa, surgem também poemas soltos, como por exemplo, “Pescador da Barca Bela”.
Compreendemos então que, a importância de Almeida Garrett, se dera não só na literatura e nos seus diferentes campos, mas também na área política, fazendo desta figura uma das mais icónicas de toda a nossa história.
Texto de Inês Cardoso
Inês Cardoso,
03/04/2011

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