quarta-feira, 6 de abril de 2011

#46

Jazz


O Jazz teve as suas origens nos Estados Unidos, no início do século XX, em Nova Orleães e nas suas áreas mais próximas. As suas bases misturam várias tradições musicais, sendo a mais particular a afro-americana.
Este novo modo de produzir música incorporava então blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia, improvisação e notas como swing e ragtime, tendo uma abertura extremamente vasta a todo o tipo de instrumentos.
O conceito de “Jazz” permanece até hoje, de certo modo, incerto. Diz-se que o termo tem raízes na gíria norte-americana, tendo sido aplicado à música apenas em 1915. Desde o início do século XX, o Jazz produziu uma vastíssima variedade de subgéneros, entre os quais o Dixieland, o Swing, o Bebop, o Jazz latino e o Fusion.
Apesar do termo “Jazz” ter, desde longa data, sido utilizado para uma vasta variedade de estilos, não é possível encontrarmos uma definição que abranja e inclua todas as variações. Enquanto alguns apreciadores de determinados tipos de jazz colocam definições menos amplas, os músicos são muitas vezes incertos no que toca a definir o próprio estilo. Este constante debate sobre as fronteiras que delimitam o jazz, levara a que, na década de 30, se criticassem inovações do swing, pois este contrariava a improvisação.
Seguidamente, nos anos 40, 50 e 60, foram ouvidas várias opiniões sobre a autenticidade do jazz, especialmente em subgéneros como o bebop, chegando alguns críticos a dizer que se analisava uma degradação do estilo, afirmação ainda presente nos nossos dias. Acredita-se assim que, a forma mais eficaz de resolver os problemas de definição do jazz, é expor este termo a um formato mais abrangente e amplo.
Apesar de o conceito de jazz ser um pouco difícil de definir, sabemos que a improvisação é um elemento essencial. Como sabemos, o blues era, antigamente, estruturado sob o repetitivo padrão pergunta e resposta, elemento comum em músicas tradicionais Assim, a improvisação era também uma característica bastante usual neste estilo.
Características como esta são totalmente fundamentais para a natureza do jazz. Como sabemos, na música clássica europeia, valoriza-se a interpretação, o ornamento e o acompanhamento e, apesar de estes serem deixados ao critério do intérprete, o objectivo elementar consiste em executar a composição tal como esta se encontra escrita. Pelo contrário, no Jazz, o objectivo está na peculiaridade em como a música é executada, nunca chegando a ser tocada exactamente da mesma forma.
O intérprete encontra-se assim livre para alterar melodias, harmonias e fórmulas de compasso, de forma a ajusta-las melhor ao objectivo pretendido. Apesar de se acreditar que a música clássica europeia é o melhor meio de valorização do compositor, o jazz é também bastante democrático neste sentido. No fundo, muitas das vezes, é atribuído o mesmo valor ao compositor e ao intérprete.
Na era do swing, as big bands passaram a ser baseadas em arranjos musicais, maioritariamente feitos de ouvido ou memorizados, pois muitos músicos jazz não liam partituras. Por outro lado, no bebop, o destaque dava-se em grupos menores e arranjos mínimos, especialmente na melodia, conhecida como "head", que era indicada brevemente no início e ao término da música, sendo o resto improvisado.
Desta forma, muitos estilos jazz surgiram posteriormente. Entre estes podemos destacar o jazz modal que, abandonando a noção de progressão harmónica, permitia aos músicos uma liberdade ainda maior no campo do improviso, dentro de uma determinada escala ou modo.
O Avant-Garde Jazz e o Free-Jazz são estilos que exigem o abandono de acordes, escalas e métrica rítmica. Assim, chamamos “comping” ao momento em que um pianista, ou outro músico de instrumentos harmónicos, improvisa um acompanhamento para aquele que está a solar.
Consequentemente, encontramos o “vamping”, um modo de comping bastante restrito, no qual se utiliza acordes repetitivos ou compassos. O vamping serve também de auxílio no momento e que se pretende estender o começo ou o fim de uma música.
Para além disso, no caso de algumas composições modernas de jazz, nas quais os acordes são fundamentalmente complexos ou de mudança rápida, o compositor ou o intérprete tem a hipótese de criar uma série de "blowing changes". Ou seja, uma série de acordes simplificada, melhor aplicada em comping e no improviso solo.


Texto de Inês Cardoso

Inês Cardoso,
04/06/2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

#45

Blues


Blues é uma forma musical vocal ou instrumental cuja característica fundamental é o uso de notas baixas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, o que dá à melodia um aspecto auditivo repetitivo.
Numa versão mais antiga o Blues tem raízes africanas. Foi desenvolvida e passada de pais para filhos pelos escravos africanos das plantações de algodão nos Estados Unidos da América. A música ou o canto é baseado na fé religiosa dos negros (espirituais negros) tendo evoluído para, cânticos, gritos e canções de trabalho onde o protesto contra as formas de escravidão estava bem presentes. Estes cânticos eram entoados durante as sofridas jornadas de trabalho.
Em meados dos anos 40, a população negra do Sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida, viram em Chicago um lugar de novas oportunidades. Nessa altura começou esta corrente musical teve um desenvolvimento intenso
 O instrumento base dos Blues era a guitarra eléctrica tendo Muddy Waters sido o primeiro músico a electrificar todos os instrumentos da sua banda. No entanto nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central dos blues como B.B.King.
A partir dos anos sessenta este movimento musical criou adeptos na Grã-Bretanha, tendo influenciado fortemente o surgimento de outros movimentos musicais tais como o rock n’ rol.
Surgiram nessa altura bandas como os Rolling Stones, Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues eléctrico de Chicago.
Um dos músicos em ascensão que se viria a tornar muito importante neste cenário foi Eric Clapton.


Texto de Alexandra Teixeira

Alexandra Teixeira,
04/04/2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

#44

Pré-Romantismo



O Pré-Romantismo é uma tendência literária dos finais do Séc. XVIII, famosa por conter características provenientes do Neoclassicismo e, simultaneamente, do Romantismo, ainda não existente. No fundo, consiste num progressivo distanciamento das características clássicas e numa aproximação das próprias temáticas românticas.
Como expoente máximo desta vertente literária podemos encontrar, entre outros, Bocage, considerado autor de transição.


Características do Neoclassicismo:
- Pensamento racional
- Equilíbrio entre a razão e o sentimento
- Predomínio de uma natureza de Locus Amoenus
- Cenário Bucólico
- Imitação dos clássicos greco-latinos
- Uso da mitologia

Características do Romantismo:
- Predomínio da sensibilidade sobre a razão
- Dominam sentimentos como o desespero, a angústia, a tristeza, o gosto pelo fúnebre
- Predomina uma natureza de Locus Horrendus
- O Eu assume uma posição egocentrica e confessional, onde predomina o egotismo. Paralelamente parece comprazer-se na dor, assumindo uma atitude masoquista
- Valorização da liberdade
- Quebra do equilíbrio clássico (cortes no interior dos versos)
- Procura de uma linguagem nova para melhor traduzir a força dos sentimentos: exclamações, interrogações, suspensões frásicas, vocativos, linguagem oralizante
- Formas literárias ainda clássicas


Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#43

Lírica Trovadoresca: Sátira Trovadoresca
 

Cantiga de Escárnio: não refere o nome da pessoa criticada (ex. D. Foão)
Cantiga de Maldizer: refere o nome da pessoa criticada
 

Temáticas das cantigas de maldizer: crítica a artificialidade do amor cortês; polémica entre jograis e trovadores;  ruzada da Balteira; traição dos cavaleiroa na Guerra de Granada; entrega dos castelos ao Conde de Bolonha

 
Sujeito: 1ª/3ª Pessoa
Objecto: identificado ou não
Caracterização do sujeito: caracterizado ou não
 
Caracterização do objecto: caracterizado ou não

Relacionamento entre o sujeito e o objecto: crítica, denúncia, ridículo

Cenário: toda a vida social da época

Valor documental: grande, abrange toda a sociedade

Temática: sátirica - social, pessoa, política

Estrutura: variável

Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#42

Lírica Trovadoresca: Cantiga de Amor


Amor Cortês: O amor cortês é característico da Cantiga de Amor. Trata-se de um código que consiste no acto de vassalagem por parte do homem face a uma Senhora casada. Baseia-se num mero jogo de sedução, ao qual a mulher inicialmente resiste, mas que termina no momento em que esta demonstra interesse. Neste mesmo jogo, a mulher é endeusada através de palavras e de olhares. Não obstante, todas as atitudes presentes são artificiais, na medida em que o homem rapidamente passa a morrer de amores por outra.


Sujeito: homem

Objecto: mulher

Caracterização: sujeito - homem: cativo, coitado, sentidor, sofredor e enlouquecido / objecto - mulher: qualidades físicas, psicológicas, sociais e genéricas.

Cenário: palaciano, corte

Temáticas: sentimento amoroso - "coita de amor"

Ponto de vista formal: cantiga de mestria e de refrão / mordobre, dobre, finda, atafinda


Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#41

Lírica Trovadoresca: Cantiga de Amigo


Emissor: donzela

Receptor: natureza

Cenário: rural, geralmente ao ar livre

Sentimentos da Donzela: raiva, angústia, desespero, tristeza, sofrimento de amor ("coita de amor"), paixão, amor, alegria de viver

Marcas do religioso e do Profano: existe uma conjugação entre o religioso e o profano, o que não é normal

Tipos de Cantigas de Amigo: romaria, barcarola ou marinha, bailia ou bailado, alba, tenção (toda ela dialogada)

Ponto de vista formal: cantiga paralelística perfeita, cantiga paralelística imperfeita, cantiga de refrão


Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#40

Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela: Dia Dedicado ao Cinema Nacional




Na continuidade das várias iniciativas que o Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela tem vindo a desenvolver para os alunos da Escola Secundária Inês de Castro, surge-nos a oportunidade de partilhar mais um dos nossos objectivos: organizar uma manhã dedicada ao cinema português na nossa escola.
Esta foi uma das mais recentes ideias que surgiu enquanto discutíamos projectos futuros para o grupo e, acreditamos, ser bastante interessante. No fundo, o nosso objectivo, consiste em projectar três filmes nacionais, nos três tempos lectivos do horário da manhã. Contudo, ainda estamos em negociações com a Direcção da nossa Escola e pretendemos também falar com os vários professores da nossa e das restantes turmas, de modo a que todos possam participar activamente nesta iniciativa e tirar o maior proveito dela.
Como sugestões de possíveis filmes temos, neste momento, “Aniki Bóbó”, um clássico de Manoel de Oliveira, “Coisa Ruím”, filme bastante aclamado no ano de 2006 e realizado por Tiago Guedes e Frederico Serra e, por fim, “Balas e Bolinhos”, realizado por Luís Ismael e que nos parece do agrado de uma vasta gama de alunos.
Futuramente e, caso este projecto seja bem aceite pela ESIC, prometemos dar informações sobre o dia e os horários correspondentes a cada filme.