Como sabemos, os efeitos especiais, os diálogos escritos, as narrações e a própria música ao vivo, foram alguns dos aliados dos variadíssimos filmes produzidos na década de 30.
Em 1896, o ilusionista francês Georges Méliès, ganhara a sua primeira “filmadora”, motivo pelo qual começara a exibir os seus filmes, tendo sido o pioneiro em alguns efeitos especiais. “Le Voyage dans la Lune” fora um dos vários da sua autoria, constituindo o primeiro cujo tema fora alienígenas.
A primeira vez que foi dado uso à edição de imagens, foi por parte de Edwin S. Porter, camaraman de Thomas Edison, respectivamente. “Life of na America Fireman”, fora então o primeiro vídeo no qual se tornara possível ver duas imagens diferentes a ocorrerem em simultâneo. Neste caso, o filme de 1903, consistira numa mulher a ser resgatada por um bombeiro e a visão do mesmo a resgatá-la. Por outro lado, ainda no mesmo ano, “The Great Train Robbery”, um dos primeiros westerns do cinema, trouxera a inovação do “cross-cuting” com imagens simultâneas em diferentes locais. No entanto, apesar de todas estas importantes inovações, o que marcara realmente Porter, fora o facto de este filme ter sido mudado devido a factores morais e éticos, já que os bandidos saíam bem no final, o que para muitos representava uma ideia de impunidade ao povo, iniciando-se então um movimento educacional por parte do cinema.
Este desenvolvimento extremamente rápido dera então origem aos denominados “nicelodeons”, ou seja, aos pequenos lugares de exibição nos quais se juntava uma grande quantidade de pessoas e onde se pagava 1 nickel para assistir. Assim, a duração dos filmes aumentara, passando de 10 a 15 minutos para 70, tendo sido a primeira longa-metragem da história o filme “The Story of the Kelly Gang”, embora tenham surgido rapidamente outros, como por exemplo “Queen Elizabeth”, “Quo Vadis?” ou “Cabiria“.
Quanto aos americanos, o director D. W. Griffith conseguira grande polémica com o filme “The British Nation”, devido a uma má interpretação da história e, por outro lado, “Intolerance: Love’s Great Struggle THroughout the Ages” tornara-se num dos maiores filmes mudos de culto na história, apesar de ter sido considerado um pouco confuso na época.
Já na França, o intuito dos irmãos Laffite em criar filmes de arte, detinha o propósito de levar as classes mais altas ao cinema, já que este obtivera a fama de ser direccionado para as classes menos educadas.
Apesar de toda esta supremacia francesa no campo da actual 7ª Arte, aquando da Primeira Guerra Mundial, a indústria europeia cinematográfica ficara completamente devastada, motivo pelo qual os EUA começaram o seu forte destaque, não só através da criação de novos filmes, mas também da importação de outros. Foi nesta época próspera para os Estados Unidos que Thomas Edison tentara tomar o controlo sobre a exploração do cinematógrafo, e que vários produtores independentes emigraram para Nova Iorque e para Hollywoodland, onde poderiam não só encontrar dias ensolarados durante quase todo o ano, mas também diferentes paisagens que serviriam de locações e etnias variadíssimas.
Nesta época fundaram-se os mais importantes estúdios de cinema, ou seja, a Fox e a Universal Paramount que deram, mais tarde, origem à 20th Century Fox e à Metro Goldwyn Meyer. Fora também em simultâneo que se comçaram a destacar comédias de Charlie Chaplin e Buster Keaton, aventuras de Douglas Fairbanks e romances de Clara Bow.
Paralelamente a Hollywood, outros lugares investiram no cinema, contribuindo para o seu desenvolvimento. Na França, entre 1919 e 1929, surgira o chamado Cinema Impressionista Francês ou simplesmente Cinema de Vanguarda. Por outro lado, na Espanha verificávamos o aparecimento do cinema surrealista. Já na Rússia encontrávamos o cineasta Serguei Eisenstein, reconhecido pela criação da técnica de montagem, denominada de montagem intelectual ou dialéctica.
Por fim, embora actualmente ainda consigamos entrar em contacto com uma parte dos filmes mudos mais importantes e os consideremos objectos de culto, é importante evidenciar que cerca de 90% deste género de cinema desapareceu por completo.
Texto de Inês Cardoso
Inês Cardoso,
15/12/2010