domingo, 3 de abril de 2011

#30

Manoel de Oliveira


 
Manoel Cândido Pinto de Oliveira é um conceituado cineasta português, o mais velho do mundo em actividade, nascido no Porto, a 11 de Dezembro de 1908.
Proveniente de uma família da alta burguesia, o autor de trinta e duas longa-metragens é filho de Francisco José de Oliveira, industrial e primeiro fabricante de lâmpadas a nível nacional, e de Cândida Ferreira Pinto.
Na sua juventude, frequentou um colégio de jesuítas, localizado na Galiza, dedicando-se maioritariamente ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara e atleta do Sport Club do Porto. Antes de se dedicar à sua actual vida profissional, Manoel de Oliveira levara também a sua vida boémia, sendo habitual frequentador do Café Diana, na Póvoa do Varzim.
Foi então aos 20 anos que se inicia no âmbito do cinema, no momento em que ingressa na escola de actores fundada no Porto por Rino Lupo, um cineasta italiano ali radicado e que contribuíra para o início do cinema português de ficção. Walther Ruttmann, autor de um documentário vanguardista intitulado “Berlim: sinfonia de uma cidade”, fora a maior inspiração para o posterior trabalho desenvolvido por Manoel de Oliveira.
Assim, surge a curta-metragem “Douro, Faina, Fluvial”, em 1931, despertando grande admiração por parte de críticos estrangeiros e, simultaneamente, desagrado dos nacionais. Este seria então, um ponto de partida para uma série de documentários que visaram abordar a vida marítima da costa de Portugal.
Posteriormente, adquirira alguma formação nos estúdios alemães da Kodak e participara como actor no filme “A Canção de Lisboa”, de Cottinelli Telmo.
Em 1942, filmara “Aniki-Bobó”, um espelho da infância no contexto neo-realista da Ribeira do Porto, baseado no conto ”Os Meninos Milionários”, de Rodrigues de Freitas. Inicialmente, o filme representara um fracasso comercial, razão pela qual Oliveira decidiu envolver-se nos negócios de família, voltando apenas ao cinema em 1956, com “O Pintor e a Cidade”.
“O Acto da Primavera”, de 1963, marcara, no cinema de Oliveira, o início da prática da antropologia visual no cinema, que viria, posteriormente, a ser explorada por outros cineastas, entre os quais João César Monteiro, António Reis, Ricardo Costa e Pedro Costa.
Mais tarde, devido a alguns diálogos presentes no seu filme “A Caça”, Manoel de Oliveira fora preso por um período de dez dias na PIDE.
Podemos considerar então que, só a partir de 1971, com o filme “O Passado e o Presente”, foi possível verificar uma carreira sem sobressaltos. Surge então “O Acto da Primavera”, que marca claramente um estilo pessoal, linha que Manoel de Oliveira seguira nos seus restantes trabalhos.
Um dos factores que mais impulsionara o lado experimental do cineasta foi, sem dúvida, a realização do filme “Tetralogia dos amores Frustrados”. O palco seria o plateau, em que o filme falado, unido a tiradas teatrais, se tornaria na alma de um cinema puro, pelo simples motivo de ter como referência e origem o teatro.
O cineasta afirma que apenas cria os seus filmes pelo próprio gozo de os fazer. Assim, encara a reacção dos críticos como secundária e, apesar das múltiplas condecorações que já recebeu nos mais variados festivais, entre os quais o Festival de Cannes, o Festival de Veneza e o Festival de Montreal, tenta levar ao máximo uma vida calma e recatada.
Durante o Festival de Cannes, em 2008, foi congratulado e felicitado pessoalmente pelo actor norte-americano Clint Eastwood. No mesmo ano, no qual completou 100 anos de vida, foi condecorado pelo Presidente da República.
Manoel de Oliveira é assim, hoje em dia, o mais velho realizador do mundo em actividade, dotado de uma saúde física e mental inquestionável.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
03/04/2011

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