Jazz
O Jazz teve as suas origens nos Estados Unidos, no início do século XX, em Nova Orleães e nas suas áreas mais próximas. As suas bases misturam várias tradições musicais, sendo a mais particular a afro-americana.
Este novo modo de produzir música incorporava então blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia, improvisação e notas como swing e ragtime, tendo uma abertura extremamente vasta a todo o tipo de instrumentos.
O conceito de “Jazz” permanece até hoje, de certo modo, incerto. Diz-se que o termo tem raízes na gíria norte-americana, tendo sido aplicado à música apenas em 1915. Desde o início do século XX, o Jazz produziu uma vastíssima variedade de subgéneros, entre os quais o Dixieland, o Swing, o Bebop, o Jazz latino e o Fusion.
Apesar do termo “Jazz” ter, desde longa data, sido utilizado para uma vasta variedade de estilos, não é possível encontrarmos uma definição que abranja e inclua todas as variações. Enquanto alguns apreciadores de determinados tipos de jazz colocam definições menos amplas, os músicos são muitas vezes incertos no que toca a definir o próprio estilo. Este constante debate sobre as fronteiras que delimitam o jazz, levara a que, na década de 30, se criticassem inovações do swing, pois este contrariava a improvisação.
Seguidamente, nos anos 40, 50 e 60, foram ouvidas várias opiniões sobre a autenticidade do jazz, especialmente em subgéneros como o bebop, chegando alguns críticos a dizer que se analisava uma degradação do estilo, afirmação ainda presente nos nossos dias. Acredita-se assim que, a forma mais eficaz de resolver os problemas de definição do jazz, é expor este termo a um formato mais abrangente e amplo.
Apesar de o conceito de jazz ser um pouco difícil de definir, sabemos que a improvisação é um elemento essencial. Como sabemos, o blues era, antigamente, estruturado sob o repetitivo padrão pergunta e resposta, elemento comum em músicas tradicionais Assim, a improvisação era também uma característica bastante usual neste estilo.
Características como esta são totalmente fundamentais para a natureza do jazz. Como sabemos, na música clássica europeia, valoriza-se a interpretação, o ornamento e o acompanhamento e, apesar de estes serem deixados ao critério do intérprete, o objectivo elementar consiste em executar a composição tal como esta se encontra escrita. Pelo contrário, no Jazz, o objectivo está na peculiaridade em como a música é executada, nunca chegando a ser tocada exactamente da mesma forma.
O intérprete encontra-se assim livre para alterar melodias, harmonias e fórmulas de compasso, de forma a ajusta-las melhor ao objectivo pretendido. Apesar de se acreditar que a música clássica europeia é o melhor meio de valorização do compositor, o jazz é também bastante democrático neste sentido. No fundo, muitas das vezes, é atribuído o mesmo valor ao compositor e ao intérprete.
Na era do swing, as big bands passaram a ser baseadas em arranjos musicais, maioritariamente feitos de ouvido ou memorizados, pois muitos músicos jazz não liam partituras. Por outro lado, no bebop, o destaque dava-se em grupos menores e arranjos mínimos, especialmente na melodia, conhecida como "head", que era indicada brevemente no início e ao término da música, sendo o resto improvisado.
Desta forma, muitos estilos jazz surgiram posteriormente. Entre estes podemos destacar o jazz modal que, abandonando a noção de progressão harmónica, permitia aos músicos uma liberdade ainda maior no campo do improviso, dentro de uma determinada escala ou modo.
O Avant-Garde Jazz e o Free-Jazz são estilos que exigem o abandono de acordes, escalas e métrica rítmica. Assim, chamamos “comping” ao momento em que um pianista, ou outro músico de instrumentos harmónicos, improvisa um acompanhamento para aquele que está a solar.
Consequentemente, encontramos o “vamping”, um modo de comping bastante restrito, no qual se utiliza acordes repetitivos ou compassos. O vamping serve também de auxílio no momento e que se pretende estender o começo ou o fim de uma música.
Para além disso, no caso de algumas composições modernas de jazz, nas quais os acordes são fundamentalmente complexos ou de mudança rápida, o compositor ou o intérprete tem a hipótese de criar uma série de "blowing changes". Ou seja, uma série de acordes simplificada, melhor aplicada em comping e no improviso solo.
Texto de Inês Cardoso
Inês Cardoso,
04/06/2011
















