quarta-feira, 6 de abril de 2011

#46

Jazz


O Jazz teve as suas origens nos Estados Unidos, no início do século XX, em Nova Orleães e nas suas áreas mais próximas. As suas bases misturam várias tradições musicais, sendo a mais particular a afro-americana.
Este novo modo de produzir música incorporava então blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia, improvisação e notas como swing e ragtime, tendo uma abertura extremamente vasta a todo o tipo de instrumentos.
O conceito de “Jazz” permanece até hoje, de certo modo, incerto. Diz-se que o termo tem raízes na gíria norte-americana, tendo sido aplicado à música apenas em 1915. Desde o início do século XX, o Jazz produziu uma vastíssima variedade de subgéneros, entre os quais o Dixieland, o Swing, o Bebop, o Jazz latino e o Fusion.
Apesar do termo “Jazz” ter, desde longa data, sido utilizado para uma vasta variedade de estilos, não é possível encontrarmos uma definição que abranja e inclua todas as variações. Enquanto alguns apreciadores de determinados tipos de jazz colocam definições menos amplas, os músicos são muitas vezes incertos no que toca a definir o próprio estilo. Este constante debate sobre as fronteiras que delimitam o jazz, levara a que, na década de 30, se criticassem inovações do swing, pois este contrariava a improvisação.
Seguidamente, nos anos 40, 50 e 60, foram ouvidas várias opiniões sobre a autenticidade do jazz, especialmente em subgéneros como o bebop, chegando alguns críticos a dizer que se analisava uma degradação do estilo, afirmação ainda presente nos nossos dias. Acredita-se assim que, a forma mais eficaz de resolver os problemas de definição do jazz, é expor este termo a um formato mais abrangente e amplo.
Apesar de o conceito de jazz ser um pouco difícil de definir, sabemos que a improvisação é um elemento essencial. Como sabemos, o blues era, antigamente, estruturado sob o repetitivo padrão pergunta e resposta, elemento comum em músicas tradicionais Assim, a improvisação era também uma característica bastante usual neste estilo.
Características como esta são totalmente fundamentais para a natureza do jazz. Como sabemos, na música clássica europeia, valoriza-se a interpretação, o ornamento e o acompanhamento e, apesar de estes serem deixados ao critério do intérprete, o objectivo elementar consiste em executar a composição tal como esta se encontra escrita. Pelo contrário, no Jazz, o objectivo está na peculiaridade em como a música é executada, nunca chegando a ser tocada exactamente da mesma forma.
O intérprete encontra-se assim livre para alterar melodias, harmonias e fórmulas de compasso, de forma a ajusta-las melhor ao objectivo pretendido. Apesar de se acreditar que a música clássica europeia é o melhor meio de valorização do compositor, o jazz é também bastante democrático neste sentido. No fundo, muitas das vezes, é atribuído o mesmo valor ao compositor e ao intérprete.
Na era do swing, as big bands passaram a ser baseadas em arranjos musicais, maioritariamente feitos de ouvido ou memorizados, pois muitos músicos jazz não liam partituras. Por outro lado, no bebop, o destaque dava-se em grupos menores e arranjos mínimos, especialmente na melodia, conhecida como "head", que era indicada brevemente no início e ao término da música, sendo o resto improvisado.
Desta forma, muitos estilos jazz surgiram posteriormente. Entre estes podemos destacar o jazz modal que, abandonando a noção de progressão harmónica, permitia aos músicos uma liberdade ainda maior no campo do improviso, dentro de uma determinada escala ou modo.
O Avant-Garde Jazz e o Free-Jazz são estilos que exigem o abandono de acordes, escalas e métrica rítmica. Assim, chamamos “comping” ao momento em que um pianista, ou outro músico de instrumentos harmónicos, improvisa um acompanhamento para aquele que está a solar.
Consequentemente, encontramos o “vamping”, um modo de comping bastante restrito, no qual se utiliza acordes repetitivos ou compassos. O vamping serve também de auxílio no momento e que se pretende estender o começo ou o fim de uma música.
Para além disso, no caso de algumas composições modernas de jazz, nas quais os acordes são fundamentalmente complexos ou de mudança rápida, o compositor ou o intérprete tem a hipótese de criar uma série de "blowing changes". Ou seja, uma série de acordes simplificada, melhor aplicada em comping e no improviso solo.


Texto de Inês Cardoso

Inês Cardoso,
04/06/2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

#45

Blues


Blues é uma forma musical vocal ou instrumental cuja característica fundamental é o uso de notas baixas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, o que dá à melodia um aspecto auditivo repetitivo.
Numa versão mais antiga o Blues tem raízes africanas. Foi desenvolvida e passada de pais para filhos pelos escravos africanos das plantações de algodão nos Estados Unidos da América. A música ou o canto é baseado na fé religiosa dos negros (espirituais negros) tendo evoluído para, cânticos, gritos e canções de trabalho onde o protesto contra as formas de escravidão estava bem presentes. Estes cânticos eram entoados durante as sofridas jornadas de trabalho.
Em meados dos anos 40, a população negra do Sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida, viram em Chicago um lugar de novas oportunidades. Nessa altura começou esta corrente musical teve um desenvolvimento intenso
 O instrumento base dos Blues era a guitarra eléctrica tendo Muddy Waters sido o primeiro músico a electrificar todos os instrumentos da sua banda. No entanto nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central dos blues como B.B.King.
A partir dos anos sessenta este movimento musical criou adeptos na Grã-Bretanha, tendo influenciado fortemente o surgimento de outros movimentos musicais tais como o rock n’ rol.
Surgiram nessa altura bandas como os Rolling Stones, Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues eléctrico de Chicago.
Um dos músicos em ascensão que se viria a tornar muito importante neste cenário foi Eric Clapton.


Texto de Alexandra Teixeira

Alexandra Teixeira,
04/04/2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

#44

Pré-Romantismo



O Pré-Romantismo é uma tendência literária dos finais do Séc. XVIII, famosa por conter características provenientes do Neoclassicismo e, simultaneamente, do Romantismo, ainda não existente. No fundo, consiste num progressivo distanciamento das características clássicas e numa aproximação das próprias temáticas românticas.
Como expoente máximo desta vertente literária podemos encontrar, entre outros, Bocage, considerado autor de transição.


Características do Neoclassicismo:
- Pensamento racional
- Equilíbrio entre a razão e o sentimento
- Predomínio de uma natureza de Locus Amoenus
- Cenário Bucólico
- Imitação dos clássicos greco-latinos
- Uso da mitologia

Características do Romantismo:
- Predomínio da sensibilidade sobre a razão
- Dominam sentimentos como o desespero, a angústia, a tristeza, o gosto pelo fúnebre
- Predomina uma natureza de Locus Horrendus
- O Eu assume uma posição egocentrica e confessional, onde predomina o egotismo. Paralelamente parece comprazer-se na dor, assumindo uma atitude masoquista
- Valorização da liberdade
- Quebra do equilíbrio clássico (cortes no interior dos versos)
- Procura de uma linguagem nova para melhor traduzir a força dos sentimentos: exclamações, interrogações, suspensões frásicas, vocativos, linguagem oralizante
- Formas literárias ainda clássicas


Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#43

Lírica Trovadoresca: Sátira Trovadoresca
 

Cantiga de Escárnio: não refere o nome da pessoa criticada (ex. D. Foão)
Cantiga de Maldizer: refere o nome da pessoa criticada
 

Temáticas das cantigas de maldizer: crítica a artificialidade do amor cortês; polémica entre jograis e trovadores;  ruzada da Balteira; traição dos cavaleiroa na Guerra de Granada; entrega dos castelos ao Conde de Bolonha

 
Sujeito: 1ª/3ª Pessoa
Objecto: identificado ou não
Caracterização do sujeito: caracterizado ou não
 
Caracterização do objecto: caracterizado ou não

Relacionamento entre o sujeito e o objecto: crítica, denúncia, ridículo

Cenário: toda a vida social da época

Valor documental: grande, abrange toda a sociedade

Temática: sátirica - social, pessoa, política

Estrutura: variável

Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#42

Lírica Trovadoresca: Cantiga de Amor


Amor Cortês: O amor cortês é característico da Cantiga de Amor. Trata-se de um código que consiste no acto de vassalagem por parte do homem face a uma Senhora casada. Baseia-se num mero jogo de sedução, ao qual a mulher inicialmente resiste, mas que termina no momento em que esta demonstra interesse. Neste mesmo jogo, a mulher é endeusada através de palavras e de olhares. Não obstante, todas as atitudes presentes são artificiais, na medida em que o homem rapidamente passa a morrer de amores por outra.


Sujeito: homem

Objecto: mulher

Caracterização: sujeito - homem: cativo, coitado, sentidor, sofredor e enlouquecido / objecto - mulher: qualidades físicas, psicológicas, sociais e genéricas.

Cenário: palaciano, corte

Temáticas: sentimento amoroso - "coita de amor"

Ponto de vista formal: cantiga de mestria e de refrão / mordobre, dobre, finda, atafinda


Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#41

Lírica Trovadoresca: Cantiga de Amigo


Emissor: donzela

Receptor: natureza

Cenário: rural, geralmente ao ar livre

Sentimentos da Donzela: raiva, angústia, desespero, tristeza, sofrimento de amor ("coita de amor"), paixão, amor, alegria de viver

Marcas do religioso e do Profano: existe uma conjugação entre o religioso e o profano, o que não é normal

Tipos de Cantigas de Amigo: romaria, barcarola ou marinha, bailia ou bailado, alba, tenção (toda ela dialogada)

Ponto de vista formal: cantiga paralelística perfeita, cantiga paralelística imperfeita, cantiga de refrão


Texto/Resumo de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#40

Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela: Dia Dedicado ao Cinema Nacional




Na continuidade das várias iniciativas que o Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela tem vindo a desenvolver para os alunos da Escola Secundária Inês de Castro, surge-nos a oportunidade de partilhar mais um dos nossos objectivos: organizar uma manhã dedicada ao cinema português na nossa escola.
Esta foi uma das mais recentes ideias que surgiu enquanto discutíamos projectos futuros para o grupo e, acreditamos, ser bastante interessante. No fundo, o nosso objectivo, consiste em projectar três filmes nacionais, nos três tempos lectivos do horário da manhã. Contudo, ainda estamos em negociações com a Direcção da nossa Escola e pretendemos também falar com os vários professores da nossa e das restantes turmas, de modo a que todos possam participar activamente nesta iniciativa e tirar o maior proveito dela.
Como sugestões de possíveis filmes temos, neste momento, “Aniki Bóbó”, um clássico de Manoel de Oliveira, “Coisa Ruím”, filme bastante aclamado no ano de 2006 e realizado por Tiago Guedes e Frederico Serra e, por fim, “Balas e Bolinhos”, realizado por Luís Ismael e que nos parece do agrado de uma vasta gama de alunos.
Futuramente e, caso este projecto seja bem aceite pela ESIC, prometemos dar informações sobre o dia e os horários correspondentes a cada filme.

#39

Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela: Educação Sexual


Como todos sabemos, foi proposto às turmas de 12º ano, aquando do início do segundo período, a elaboração de um projecto referente ao âmbito da Educação Sexual.
O Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela achou então que seria interessante requisitar a participação de um farmacêutico, na medida em que o tema seria os estereótipos. Tendo em conta o nosso objectivo de desenvolver várias iniciativas e, possivelmente, algum tipo de palestra, foi acordado, entre o grupo e a Professora Paula Marques, que o projecto seria realizado no terceiro período, juntamente com as restantes incitativas que serão desenvolvidas.
Assim, podemos afirmar e confirmar desde já a presença do farmacêutico Tomás Lima, jovem recentemente formado na Universidade de Coimbra, que exerce actualmente em Esposende. Este será, no fundo, o nosso apoio para ajudar a desmistificar, de um modo mais viável, os mais variados estereótipos associados à sexualidade.
A data da vinda de Tomás Lima ainda não está totalmente definida, visto ter de ser devidamente acordada com próprio farmacêutico e também com a direcção da Escola Secundária Inês de Castro, de modo a requisitarmos os materiais e espaço necessário.
Contudo, esperamos, brevemente, poder dar notícias aos nossos leitores nesse sentido.


Grupo,
04/04/2011

#38

Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela: Entrevista com Mário Ferreira da Silva




O Grupo “Kadinsky Escondido Atrás da Tela” continua activo na busca de novas iniciativas e projectos que possam elucidar os alunos da Escola Secundária Inês de Castro sobre o mundo cultural e artístico.
A ideia de entrevistarmos algumas figuras ligadas às diferentes áreas que temos vindo a abordar era já projectada desde bastante cedo. Contudo, as personalidades que se encontravam ao nosso alcance eram relativamente escacas e, por essa razão, o objectivo foi sendo adiado, embora sempre com a possibilidade de ser recuperado no futuro.
É então com entusiasmo que apresentamos o nosso primeiro convidado, Mário Ferreira da Silva, conceituado escultor e ceramista português, residente em Vila Nova de Gaia. Embora a data da entrevista ainda não esteja definida devido a incapacidade de conciliação horária, acreditamos que esta possa ser desenvolvida no período de Férias da Páscoa ou em pleno início de 3º Período, de modo a estar disponível o mais cedo possível.
Existe também a possibilidade de visitarmos o Atelier desta figura icónica do campo artístico nacional, contudo, a confirmação de tal facto será dada posteriormente.
Pensamos que seja também pertinente informar que estamos já a tentar entrar em contacto com outras personalidades e que, as entrevistas desenvolvidas com estas, poderão ser em suporte escrito ou vídeo, dependendo da distância a que nos encontrarmos das mesmas.


Grupo,
04/04/2011

#37

Fauvismo








O termo “fauvismo” encontra-se associado ao francês “les fauves”, que em português significa “as feras”. Surge no século XX, desenvolvendo-se sobretudo entre 1905 (ano em que se torna num movimento artístico) e 1907, consistindo numa busca máxima pela expressão pictórica.
Os pintores pertencentes a este movimento escandalizaram os contemporâneos, pelo facto de utilizarem cores extremamente fortes, de um modo arbitrário. A escolha deste nome para nos referirmos ao movimento, deve-se ao facto do crítico Louis Vauxcelles ter, em 1905, no Salão de Outono, comparado os artistas destas obras a feras. Tal comentário surgiu quando, ao analisar uma escultura de um menino rodeado de pinturas deste novo estilo, se recordou de “um Donatello entre as feras”.
O campo artístico é visivelmente afectado pela Revolução Industrial, visto que face a mudanças tão repentinas se tornara impossível adoptar os cânones anteriores. Assim, o novo propósito é expor e pintar sensações que despertem impulsos e instintos. Juntamente a esta nova corrente aparecem também novos comerciantes de quadros, críticos e exposições.
Como principais influências encontramos então Van Gogh e Gaugin, pela emocionalidade e pelo primitivismo presentes. Assim, o pintor fauvista era obediente às sensações vitais e primárias, desobedecendo, por conseguinte, a qualquer tendência intelectual. Era também evitada a ilusão e a tridimensionalidade, devendo a tela ser plana.
A deformação da realidade surge então aliada à finalidade de produzir o próprio estado de espírito do artista, não existindo preocupação com a composição em si. Mais importante do que a forma, tornara-se assim o próprio gosto pela cor pura, pelos vermelhos, pelos amarelos e pelos verdes, que surgem expressos em pinceladas violentas.


Características da pintura:
- Pincelada violenta, espontânea e definitiva
- Ausência de ar livre
- Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que deverá ser subjectiva, não correspondendo assim à realidade
- Autonomização completa do real
- Uso exclusivo de cores puras, tal como saem das bisnagas
- Pintura produzida em manchas largas, de modo a formar grandes planos




Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#36

Surrealismo




O surrealismo consiste num movimento artístico e literário que surgiu em Paris, no decorrer dos anos 20, por consequência do contexto vanguardista que originaria o modernismo.
Este movimento reúne artistas que anteriormente estavam ligados ao Dadaísmo e encontra-se fortemente influenciado pelas teorias psicanalistas de Freud e, por outro lado, pelo próprio Marxismo.
Este movimento dá abertura à enfatização do inconsciente, produzindo assim um modelo de arte que foge ao contexto do realismo, modelo artístico anteriormente vigente. Assim, o principal mentor deste movimento é André Breton, tendo sido a palavra, supostamente criada, pelo poeta Guillaume Apollinaire, figura também associada ao cubismo.
O mais conceituado e polémico manifesto do movimento intitula-se “Manifesto Surrealista”, desenvolvido no ano de 1924, que contara com outros artistas como Antonin Artaud, Luis Bunuel, Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí.


Características do Surrealismo nas diferentes áreas artísticas:
- Combina o representativo, o abstracto, o irreal e o inconsciente.
- Utiliza metodologias como a colagem e a escrita automática
- Liberta as exigências contidas na lógica e na razão, indo além da consciência
- Rejeita a ditadura da razão e valores burgueses como pátria, família, religião, trabalho e honra.
- Procura o impulso criativo e artístico através do acaso e do fluxo de consciência


Características da Pintura Surrealista:
- Pintura com elementos surreais
- Formas baseadas na fantasia (provenientes de sonhos ou do inconsciente)
- Busca da perfeição do desenho e das cores
- Impressão espacial
- Ilusões ópticas
- Dissociação entre imagens e legendas que se conjugam para a construção de um sonho ou para a atribuição de ironia



Dalí e Magritte criaram as mais reconhecidas obras deste movimento, sendo o objectivo máximo expor a verdade da psicologia e despir os objectos do seu significado pré-definido. Assim criar-se-ia uma imagem do mundo que ia para além do próprio pudor humano.
Entre os expoentes máximos da pintura surrealista podemos encontrar, “La Voix dês Airs” de Magritte, “Palais Promontoire” de Tanguy e “A Persistência da Memória” de Salvador Dalí.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#35

James Nachtwey





James Nachtwey é um importante fotógrafo de guerra norte-americano, nascido em Syracuse e criado em Massachusetts.
Formou-se na Dartmouth College, na qual estudou História da Arte e Ciências Políticas, por um período de quatro anos, desde 1966 a 1970. Profissionalmente, trabalhou a bordo de navios da Marinha Grande e, enquanto aprendia a fotografar, exerceu funções de estagiário em edição de filmes documentários e de motorista de camiões.
Nachtwey entrara pela primeira vez em contacto com a sua vocação após ter visto fotos da Guerra do Vietname, referindo que aquela que o mais impressionou foi a famosa fotografia de Nick Ut, uma menina vietnamita que corria nua e com a pele queimada após um ataque dirigido pelos americanos.
Foi então no ano de 1976 que James Nachtwey começara a exercer como fotógrafo de jornais no Novo México, mudando-se, quatro anos depois, para Nova Iorque, dando assim início a uma carreira de fotógrafo freelancer para variadíssimas revistas.
O se primeiro trabalho enquanto fotógrafo internacional foi a cobertura do movimento civil na Irlanda do Norte, em 1981, aquando da greve de fome do Exército Republicano Irlandês. A partir desse momento, passamos a associar esta figura à documentação de inúmeras guerras, conflitos e convulsões sociais. Muitos descrevem Nachtwey como uma figura tímida, reflexiva e empenhada na sua profissão.
O fotógrafo alega ter uma certa dificuldade em conseguir que as pessoas se interessem verdadeiramente pelo seu trabalho, sendo por vezes complicado encontrar editores que publiquem as suas fotos, que abrangem maioritariamente a vida precária do terceiro mundo. Para além disso, embora Nachtwey assuma que perseguir a desgraça e a dor humana possa ser um modelo de sensacionalismo, este acredita também que manter a situação clandestina pode ser ainda mais drástico.
Entre as suas experiências profissionais, podemos destacar o seu trabalho para a Revista Time, desde 1984, e o facto de ter estado associado á Black Star, entre 1980 e 1985, e de ter sido membro da Agência Magnum, entre 1986 e 2001, tendo, nesse mesmo ano, fundado a agência VII Photo.
Em 1989 reuniu o livro “Deeds Of War”, na qual se inserem as suas fotos da Guerra de Nicarágua, da luta do IRA, das acções dos esquadrões de morte na América Central e da Guerra Civil no Líbano. Na década de 1990, cobriu os massacres de Ruanda e a intervenção humanitária na Somália e realizou, entretanto, inúmeros trabalhos em diversos locais, como por exemplo, Gaza, Israel, Indonésia, Tailândia, índia, Guatemala, El Salvador, Margem Ocidental, Sri Lanka, Afeganistão, Filipinas, Coreia do Sul, Sudão, África do Sul, Rússia, Bósnia e Herzegovina, Chechénia, Kosovo, Roménia, Brasil e EUA.
O momento mais dramático do seu percurso profissional foi, provavelmente, em 2003, quando, enquanto correspondente da Revista Time em Bagdá, foi ferido por uma granada. Devido a tal facto, ficou internado e inconsciente por alguns dias.
Neste momento encontra-se associado à Royal Photographic Society e é Doutor Honorário de Artes na Faculdade de Artes de Massachusetts.
Entre os seus prémios mais emblemáticos, podemos destacar um Common Wealth Award, um Martin Luther King Award, um Dr. Jean Mayer Global Citizenship Award, um Henry Luce Award, cinco Robert Capa Gold Medals, dois World Press Photo Awards, sete Magazines Photographer of the Year, três International Center of Photography Infinity Award, dois Leica Awards, dois Bayeaux Awards for War Correspondents, o Alfred Eisenstaedt Award, o Canon Photo essayist Award e o W. Eugene Smith Memorial Grant para Humanistic Photography.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

#34

Impressionismo




Impressionismo surgiu na Europa no século XIX. O nome do movimento é derivado da obra impressão (nascer do sol-1872), de Claude Monet, um dos maiores pintores do impressionismo.
Os autores impressionistas não se preocupavam com os preconceitos do Realismo ou da academia, iam em busca dos elementos fundamentais de cada arte, o que os levou a pesquisar sobre a produção pictórica sem se interessarem pelas temáticas nobre ou o retrato fiel da realidade, mas sim pelo quadro como obra em si mesma. O principal elemento da pintura era a luz e o movimento. Utilizavam pinceladas soltas e normalmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse captar melhor as variações da natureza.
A emergente arte visual do impressionismo foi logo seguida por movimentos análogos noutros meios, nos quais ficaram conhecidos como, música impressionista e literatura impressionista.


Características da Pintura Impressionista:

 A pintura deve mostrar as tonalidades que os objectos adquirem ao reflectir a luz do sol num determinado momento, pois as cores da natureza mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol.
- É também com isto uma pintura instantânea (captar o momento), recorrendo, inclusivamente à fotografia.
- As figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de ser o principal meio estrutural do quadro passando a ser a mancha/cor.
- As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causa. O preto jamais é usado em uma obra impressionista plena.
- Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta produz um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos academicistas no passado. Essa orientação viria dar mais tarde origem ao pontilhismo
- As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas no quadro em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se tornar óptica.
- Preferência pelos pintores em representar uma natureza morta do que um objecto.

Entre os principais pintores do Impressionismo estão Claude Monet, Edouard Manet, Edgar Degas e Auguste Renoir. Poderemos dizer ainda que Claude Monet foi um dos maiores artistas da pintura impressionista da época.


Texto de Alexandra Teixeira

 

Alexandra Teixeira,
04/04/2011

#33

Teatro


Não se sabe ao certo a origem do teatro, mas segundo antropologistas do final do século XIX, início do século XX. Elaboraram a hipótese de este ter surgido a partir de rituais primitivos (History of Theatre. Allyn e Bacon 1995).
O primeiro evento com diálogos registado foi uma apresentação anual de peças sagradas no Antigo Egipto do mito de Osíris e Ísis, por volta de 2500 antes de Cristo (Staton e Banham 1996), que conta a história da morte e ressurreição de Osíris e a coroação de Horus (Brockett). A palavra “teatro” e o conceito de teatro, como algo independente da religião, só surgiram na Grécia de Pisístrato (560-510 antes de Cristo).
As representações mais conhecidas e a primeira teorização sobre teatro vieram dos antigos Gregos, sendo a primeira obra escrita de que se tem notícia, a Poética de Aristóteles. Aristóteles afirma que a tragédia surgiu de improvisações feitas pelos chefes dos ditirambos, hino cantado e dançado em honra a Dionisio (deus grego da fertilidade e do vinho).
O ditirambo, como descreve Brockett, consistia numa história improvisada e cantada pelo líder do coro e um refrão tradicional, cantado pelo coro. Mais tarde, foi transformado numa “composição literária” por Arion (625-585 antes de Cristo), que foi o primeiro a registar por escrito ditirambos e a dar-lhes títulos.


Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
04/04/2011

#32

Valsa

 


A valsa, originaria do termo alemão “Walzer”, consiste num estilo musical erudito de compasso binário composto. Por vezes esta aparece também, de modo a facilitar a leitura, em compasso ternário. As valsas foram tocadas maioritariamente nos salões vienenses e eram dançadas pelos membros da elite.

Nos meados do século XVIII, a Allemande, muito popular em França, antecipava já a valsa. Carl Maria von Weber, juntamente com as suas Douze Allemande, é então considerado o pai do género.
Este género musical deu assim origem a danças com braços entrelaçados ao nível da cintura, tornando-se num importante elemento no contacto mais próximo entre parceiros.
Os compositores mais aclamados dentro deste género são os membros das famílias Strauss, Josef e Johann Strauss, tendo este estilo sido reinterpretado, posteriormente, por compositores como Frédéric Chopin, Johannes Brahms e Maurice Ravel. Sabe-se também, actualmente, que Johann Strauss II compôs mais de duzentas valsas.
Em suma, e de modo a manter este género de dança e de música vivo, as mais importantes valsas são hoje interpretadas pelas maiores orquestras mundiais, com uma certa regularidade, em diferentes partes do mundo.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
04/04/2011

domingo, 3 de abril de 2011

#31

Grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela: Exposição de Fotos de Gonçalo Delgado




 
No seguimento das iniciativas que o grupo Kadinsky Escondido Atrás da Tela havia já anunciado, surgiu esta semana mais uma hipótese de levarmos até aos alunos da Escola Secundária Inês de Castro uma nova experiência.
No decorrer da segunda semana do 3º Período do Ano Lectivo 2010/2011, será possível visitarem, no auditório da nossa Escola, uma exposição de fotos do jovem fotografo bracarense Gonçalo Delgado. O seu trabalho fotográfico é maioritariamente direccionado para o espectro do espectáculo, sendo que nos serão disponibilizadas dez fotos de variadíssimos concertos, promovidos pelas mais diversas promotoras e festivais em todo o país.
Esta iniciativa fora já aprovada pela direcção da nossa Escola, sendo que, no início do próximo período, disponibilizaremos um aviso que circulará por todas as turmas de modo a que todos tenham acesso e conhecimento deste projecto.
Gonçalo Delgado obteve formação desde cedo, através do Curso de Fotografia Digital, estando neste momento a trabalhar para a agência W.A.P.A. (Wide Angle Photographic Agency).
A exposição que virá até à nossa escola fora já previamente exposta no bar universitário Insólito, na cidade de Braga.

Para conhecerem mais sobre este fotógrafo e sobre o seu respectivo trabalho, visitem a seguinte página:


Grupo,
03/04/2011

#30

Manoel de Oliveira


 
Manoel Cândido Pinto de Oliveira é um conceituado cineasta português, o mais velho do mundo em actividade, nascido no Porto, a 11 de Dezembro de 1908.
Proveniente de uma família da alta burguesia, o autor de trinta e duas longa-metragens é filho de Francisco José de Oliveira, industrial e primeiro fabricante de lâmpadas a nível nacional, e de Cândida Ferreira Pinto.
Na sua juventude, frequentou um colégio de jesuítas, localizado na Galiza, dedicando-se maioritariamente ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara e atleta do Sport Club do Porto. Antes de se dedicar à sua actual vida profissional, Manoel de Oliveira levara também a sua vida boémia, sendo habitual frequentador do Café Diana, na Póvoa do Varzim.
Foi então aos 20 anos que se inicia no âmbito do cinema, no momento em que ingressa na escola de actores fundada no Porto por Rino Lupo, um cineasta italiano ali radicado e que contribuíra para o início do cinema português de ficção. Walther Ruttmann, autor de um documentário vanguardista intitulado “Berlim: sinfonia de uma cidade”, fora a maior inspiração para o posterior trabalho desenvolvido por Manoel de Oliveira.
Assim, surge a curta-metragem “Douro, Faina, Fluvial”, em 1931, despertando grande admiração por parte de críticos estrangeiros e, simultaneamente, desagrado dos nacionais. Este seria então, um ponto de partida para uma série de documentários que visaram abordar a vida marítima da costa de Portugal.
Posteriormente, adquirira alguma formação nos estúdios alemães da Kodak e participara como actor no filme “A Canção de Lisboa”, de Cottinelli Telmo.
Em 1942, filmara “Aniki-Bobó”, um espelho da infância no contexto neo-realista da Ribeira do Porto, baseado no conto ”Os Meninos Milionários”, de Rodrigues de Freitas. Inicialmente, o filme representara um fracasso comercial, razão pela qual Oliveira decidiu envolver-se nos negócios de família, voltando apenas ao cinema em 1956, com “O Pintor e a Cidade”.
“O Acto da Primavera”, de 1963, marcara, no cinema de Oliveira, o início da prática da antropologia visual no cinema, que viria, posteriormente, a ser explorada por outros cineastas, entre os quais João César Monteiro, António Reis, Ricardo Costa e Pedro Costa.
Mais tarde, devido a alguns diálogos presentes no seu filme “A Caça”, Manoel de Oliveira fora preso por um período de dez dias na PIDE.
Podemos considerar então que, só a partir de 1971, com o filme “O Passado e o Presente”, foi possível verificar uma carreira sem sobressaltos. Surge então “O Acto da Primavera”, que marca claramente um estilo pessoal, linha que Manoel de Oliveira seguira nos seus restantes trabalhos.
Um dos factores que mais impulsionara o lado experimental do cineasta foi, sem dúvida, a realização do filme “Tetralogia dos amores Frustrados”. O palco seria o plateau, em que o filme falado, unido a tiradas teatrais, se tornaria na alma de um cinema puro, pelo simples motivo de ter como referência e origem o teatro.
O cineasta afirma que apenas cria os seus filmes pelo próprio gozo de os fazer. Assim, encara a reacção dos críticos como secundária e, apesar das múltiplas condecorações que já recebeu nos mais variados festivais, entre os quais o Festival de Cannes, o Festival de Veneza e o Festival de Montreal, tenta levar ao máximo uma vida calma e recatada.
Durante o Festival de Cannes, em 2008, foi congratulado e felicitado pessoalmente pelo actor norte-americano Clint Eastwood. No mesmo ano, no qual completou 100 anos de vida, foi condecorado pelo Presidente da República.
Manoel de Oliveira é assim, hoje em dia, o mais velho realizador do mundo em actividade, dotado de uma saúde física e mental inquestionável.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
03/04/2011

#29

Novo Cinema



Novo Cinema é um movimento vanguardista do cinema português que, em pleno Estado Novo, (anos 60) rompeu com a vinculação à ideologia vigente e se assumia como vanguarda, iniciando um movimento que vingaria nos anos seguintes.
Era nova forma de fazer cinema inspirou-se na Nova Vaga francesa e no movimento neo-realista italiano. Os estudantes universitários, foram os que aderiram em massa a este novo movimento, pois deixaram-se seduzir por este tipo de cinema que na altura só se assistia nas salas dos cine clubs.
Grande parte dos estudantes formaram-se na primeira cooperativa de cinema existente em Portugal, apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian (Centro Português de Cinema) e respeitada pelo estado seria uma “recta de lançamento” para jovens cineastas.
O movimento neo-realista que tanto se dedica à ficção como o documentário, prolongou-se pelos anos setenta e revelou-se ser um dos mais inovadores em toda a história do cinema português. Este movimento tinha como objectivo mostrar às pessoas, o país real. O mundo rural era desconhecido pelas pessoas da cidade
 Os documentários debruçavam-se sobre os problemas e trabalho vividos pelas sociedades rural. Por outro lado, como essas populações não tinham acesso a salas de cinema foram populares (nos anos 70) as exibições de filmes muitas vezes de caris político em salas improvisadas com material básico, nos bombeiros ou até em salões paroquiais.
A procura da identidade humana – coisa que o movimento faz, com técnicas ligeiras, junto dos esquecidos, nomeadamente Trás-os-Montes e Alto Douro. Esta preocupação, presente nos filmes do Novo Cinema, tanto na ficção como no documentário, associada ao uso das técnicas ligeiras de filmagem e de captação de som, já exploradas pela Nova Vaga, é a marca dos novos cinemas.
O novo cinema de cada país dependia da realidade vivida desse país.

Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011

#28

Documentário




Documentário é um género cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade, no entanto não representa a realidade «tal como ela é», assim documentário é como o cinema de ficção (representação parcial e subjectiva da realidade).O termo documentário é aceite em 1879 pelo dicionário francês Littré como adjectivo referente a algo «que tem carácter de documento». Actualmente há uma série de estudos cujos esforços se dirigem no sentido de mostrar que há uma indefinição de fronteiras entre documentário e cinema de ficção, definindo um género híbrido. Em Portugal estabelece-se que se consideram «documentários de criação», aqueles que contenham uma análise original de qualquer aspecto da realidade e não possuam carácter predominante noticioso, didáctico ou publicitário.


Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011

#27

Sebastião Salgado

 


Sebastião Ribeiro Salgado nasceu dia 8 de Fevereiro de 1944 em Aimorés (Minas gerais) no Brasil. É um dos jornalistas mais respeitado da actualidade e o seu estilo único de fotografar tornou-o mundialmente famoso.
Nomeado como representante especial da UNICEF em 3 de Abril de 2001, dedicou-se a fazer crónicas sobre a vida de pessoas socialmente excluídas. O seu trabalho foi reconhecido e resultou na publicação de 10 livros, na realização de várias exposições e ainda recebeu vários prémios e homenagens na Europa e no continente Americano.
Sebastião Salgado pretende mudar a visão das pessoas, e espera que estas saiam das suas exposições mudadas e acredita que qualquer pessoa pode ajudar muito, não só com bens materiais mas também dando uma palavra amiga e esteja mesmo preocupado em saber o que se passa no mundo onde vivemos.

"Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair. Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de ideias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo". Sebastião Salgado


Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011

#26

Tango



O tango consiste num género musical que se alia, regra geral, a uma dança a par, na qual se manifesta uma coreografia difícil e habilidades extremamente complexas. Tem assim uma forma musical binária e um compasso de dois por quatro.
A origem deste estilo encontra-se associada á área de Rio da Prata, à América do Sul, às cidades de Buenos Aires e a Montevidéu. O facto de a sua origem não ser muito clara, deve-se à documentação não ser muito numerosa nem explícita. Contudo, diz-se que o tango descende da habanera, que se interpretava em prostíbulos nas últimas décadas do século XIX, com violino, flauta e guitarra. Inicialmente era dançado por dois homens, o que justifica os dois rostos virados. Contudo, devido ao seu sucesso e Paris, este foi aceite pela aristocracia platina.
Como características mais marcantes, encontramos o drama, a paixão, a sexualidade, a agressividade, e a tristeza. A mulher é sempre submissa e o ritmo é sincopado. A síncope é uma nota tocada no tempo fraco que se deve prolongar até um tempo mais forte, movimentando a música e deslocando a acentuação do ritmo.
O tango argentino, ultrapassou fronteiras no início do século XX, no momento em que os marinheiros franceses levaram ao seu país o tango do uruguaio. Admite-se assim que o tango tem duas fases distintas. A primeira deu-se nos anos 20, quando várias figuras do âmbito artístico de Buenos Aires e Montevidéu, e inclusive muitos literatos como José Gonzalez Castillo e Fernán Silva Valdez investiram os seus esforços na melhoria da música popular. Também a grande venda de álbuns fora um contributo para a expansão do estilo. Por outro lado, nos anos 40, sugiram novas figuras no mundo do tango, entre as quais Aníbal Troilo, Astor Piazzolla, Armando Pontier.
Podemos considerar que existem então várias tendências neste estilo. Encontramos assim como os mais tradicionais, o tango-canção, o tango canyengue, o tango milonga, o tango romanzae e o tango jazz. Contudo, com a evolução deste movimento, podemos hoje deparar-nos com novas vertentes, como por exemplo o tango rock ou o tango electrónico.
Foi então a 30 de Setembro de 2009, no Dubai, que se dera o maior importante manifesto de valorização no mundo do tango. Este fora considerado Património Cultural da Humanidade pela Unesco.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
03/04/2011

#25

Sapateado




Na primeira metade do século XIX, desenvolveu-se o chamado sapateado americano (nos Estados Unidos da América). Consistia em unir os ritmos e danças dos escravos, que já possuíam um estilo de dança próprio baseado nos sons corporais, com os estilos de sapateado praticados pelos imigrantes irlandeses e colonizados ingleses.
A forma irlandesa do sapateado, também chamada de Irish Tap Dance, concentra-se nos pés e o tronco tem que estar permanentemente rígido, já os americanos esbanjam ritmos sincopados e movimentam o corpo todo, abrindo a dança para o estilo próprio de cada bailarino. O sapateado americano conseguiu acrescentar a dança e toda a riqueza do movimento corporal ao sapateado irlandês. Com isso criou uma modalidade de dança ímpar e que se espalharia por todo o território dos Estados Unidos da América bem como em outros países, durante o século XX.
Graças aos grandes musicais com a participação de nomes como Fred Astaire (grande mestre do sapateado), Gene Kelly, Ginger Rogers, Vera-Ellen e Eleanor Powell na década de 30 o sapateado ganhou força e popularidade. Depois de um período de declínio do final da década de 50 ao início dos anos 70, nomes como Gregory Hines e, em especial, Brenda Bufalino (directora da American Tap Dance Foundation) revitalizaram o sapateado americano, impulsionando toda uma nova geração, de onde surgiram nomes como o do grande astro Savion Glover, recentemente coreógrafo dos pinguins do filme Happy Feet.
Profissionais de sapateado americano realizam periodicamente workshops e shows internacionais, levando a arte do sapateado para diversos países: além da Irlanda e Estados Unidos, países como França, Austrália, Alemanha, Espanha, Israel e Brasil possuem grupos, coreógrafos e estúdios de sapateado de expressão.


Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011

#24

Romantismo




No romantismo, a paisagem passou a desempenhar o papel principal, não mais como cenário da composição, mas em estreita relação com as personagens das obras e como seu meio de expressão.
A característica mais marcante do romantismo é a valorização dos sentimentos e da imaginação como princípios da criação artística: sonho e fantasia, visão pessimista da realidade, paixão, noite e morte.
A pintura romântica exaltou o passado histórico numa dimensão nacionalista e ética, evocando acontecimentos históricos ou lendários de um modo propositadamente grandioso e nobre.
Os amores impossíveis e a idealização da mulher amada originaram a criação de composições sombrias. As características da mulher amada eram: pálida, sombria, doentia, virgem, etérea, transparente, leviana, lânguida, nívea, angelical, trémula e gélida e os sentimentos imperativos eram: o amor, melancolia, resignação, ódio, rancor, medo, terror, desgosto, fracasso e depressão.
A pintura foi o ramo mais significativo das artes plásticas. Foi o veículo que consolidaria definitivamente o ideal de uma época, utilizando-se temas dramático- sentimentos inspirados pela literatura e pela história e procurou-se no conteúdo, mais do que os valores da arte, os efeitos emotivos.


Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011

#23

Música Medieval


A música medieval apareceu na Idade Média durante a História da Música ocidental europeia. Este período iniciou-se com a queda do império romano e só terminou no meio do século XV. Não se sabe ao certo quando a era medieval terminou e quando a renascença se iniciou por isso para fins de estudo de música, podemos considerar o ano 1401, o início do século XV.
Durante muito tempo a música foi cultivada por transmissão oral, até que se inventou um sistema de escrita. Por volta do século IX apareceu, pela primeira vez, a pauta musical. Foi Guido d’ Arezzo (monge italiano) que sugeriu o uso de uma pauta de quatro linhas usado ainda hoje no canto gregoriano. A utilização do sistema silábico de dar nome às notas deve-se também ao monge Guido d’Arezzo e encontra-se num hino ao padroeiro dos músicos, São João Batista: Ut Queant Laxit, Ressonare Fibris, Mira Gestorum, Famuli Tuorum, Solvi Polluti, Labii Reatum e Sancte Loannes. Com o passar do tempo o Ut foi substituído pelo Dó.
Cantochão ou Canto Gregoriano são o tipo de música mais antigo que conhecemos e são cantadas apenas na primeira linha melódica, sem qualquer acompanhamento. Com o passar do tempo acrescentou-se outras vozes ao cantochão, criando-se as primeiras composições em estilo coral. Nos séculos XII e XIII, a produção destas músicas (cantadas), subiram em flecha e eram compostas pelos Trovadores, poetas e músicos do Sul da França. As danças eram muito populares em festas e feiras e podiam ser tocadas tanto por dois instrumentos, como por um grupo mais numeroso. Os instrumentos que acompanhavam estas danças incluíam: a viela (antepassado da família do violino), o alaúde, flautas doces de vários tamanhos, gaitas de foles, o trompete recto medieval, instrumentos de percussão (triângulos, sinos, tambores, entre outros).

Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011

#22


Almeida Garrett





João Baptista da Silva Leitão de Almeida, mais tarde visconde de Almeida Garrett, foi um escritor, dramaturgo, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
Nascido no Porto, no dia 4 de Fevereiro de 1799, este foi um dos grandes impulsionadores do teatro português, marcando fortemente o período romântico nacional e propondo a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
A sua infância foi passada na Quinta do Sardão, que pertencia ao seu avô materno José Bento Leitão, em Oliveira do Douro, localizada em Vila Nova de Gaia. Contudo, a sua adolescência fora passada na Ilha Terceira, nos Açores, devido à invasão Napoleónica.
Como sabemos, Almeida Garrett foi uma das figuras mais icónicas das lutas liberais em território lusitano. Assim, após a sua participação em 1820, seguiu para o exílio em Inglaterra em 1823, após a Vilafrancada. Anteriormente havia casado com Luísa Midosi, uma jovem de apenas 14 anos que tinha engravidado. Foi então quando posto em contacto com o mundo inglês que começara a interessar-se pelo movimento romântico, através do conhecimento de autores como Shakespear e Walter Scott. Visitou assim inúmeros castelos feudais, ruínas de igrejas e abadias góticas, elementos que se viriam a reflectir na sua obra.
No ano de 1824 partira para França, momento no qual escrevera os conceituados poemas “Camões” e “Dona Branca”, regressando a Portugal em 1826. Neste período dedicara-se ao jornalismo, fundara o jornal diário “O Português” e o seminário “O Cronista”.
Devido ao regresso de D. Miguel, Garrett tivera de deixar Portugal novamente em 1828, ano em que perdera também a sua filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra publica “Adozina” e, juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, participara no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto. Fora também fundador do Jornal “Regeneração”.
A posterior vitória liberal permitira que este se instalasse em Portugal definitivamente, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, momento no qual contacta com as obras de Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal destacara-se como orador, sendo que, apesar disso, com a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral, Garrett tivera de se afastar da vida política até 1852. Contudo, em 1850, subscrevera um protesto contra a proposta sobre a liberdade da imprensa, vulgarmente conhecida como “lei das rolhas”.
Sabemos que Almeida Garrett fora um dos mais versáteis escritores portugueses, tendo-se observado manifestações importantíssimas deste nos três domínios literários.
Sob ponto de vista dramático, este dera inicio ao período de regeneração do teatro português, levando à cena “Filipa de Vilhena”, “Um Auto de Gil Vicente” e “O Alfageme de Santarém”. Contudo, a sua obra-prima surgira apenas de 1844, intitulada “Frei Luís de Sousa”. Todas estas peças marcaram o ponto de viragem da literatura portuguesa, não só sob ponto de vista temático mas também por privilegiarem o espírito patriótico e a nossa história. Também a naturalidade dos diálogos fora uma mudança, tendo esta tido o seu maior manifesto na obra “Falar Verdade a Mentir”.
O primeiro volume de “O Arco de Santana”, romance histórico inspirado por “Notre Dame de Paris”, de Victor Hugo, marca então o início de Almeida Garrett na prosa. A história manifesta assim a recriação do ambiente medieval da Invicta e rompe com as convenções anteriores, passando a haver uma aproximação da linguagem correntemente falada. Posteriormente “Viagens na minha terra”, transporta uma nova vertente da escrita de Garrett, na qual expressa impressões de viagem, de arte, paisagens e costumes que se unem a uma novela romântica, na qual entramos em contacto com factos contemporâneos do autor.
No âmbito da poesia, o escritor não fora menos aclamado. A liberdade da metrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação extremamente subjectiva foram então as suas maiores inovações. A sua obra fica então marcada por “Flores Sem Fruto” e “Folhas Caídas”, que introduzem um novo espírito mais simplório na poesia nacional. Aliados a estes dois expoentes máximos da poesia portuguesa, surgem também poemas soltos, como por exemplo, “Pescador da Barca Bela”.
Compreendemos então que, a importância de Almeida Garrett, se dera não só na literatura e nos seus diferentes campos, mas também na área política, fazendo desta figura uma das mais icónicas de toda a nossa história.


Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
03/04/2011

#21

Dança Tradicional Russa (Cossacos)



As danças cossacas, cheias de passos diferentes e saltos malabarísticos, são uma das maiores atracções ao turista que chega à Rússia, este tipo de dança foi criado pelos cossacos (um grupo sub-étnico) constituído por eslavos orientais que vivem nas estepes da Europa oriental, principalmente no sul da Rússia e no Cazaquistão. 
Não se conhece com precisão a sua origem e são muitas as versões a seu respeito. Até o final do século XIV, formavam dois grandes grupos residentes na região dos rios Don e Dnieper. A eles uniu-se uma grande quantidade de eslavos orientais vindos do norte de Moscovo e da Lituânia e no século XIV, ambos os grupos cresceram bastantes tornando-se em tropas livres.
Em aliança com o Império Russo, os cossacos do Don iniciaram a colonização sistemática da fronteira russa. Eles habitavam no curso inferior dos rios Volga, Yaik e Terek, bem como em vastas regiões siberianas.

Texto de Alexandra Teixeira


Alexandra Teixeira,
03/04/2011