Nouvelle Vague
Entendemos por Nouvelle Vague, um movimento artístico presente no cinema francês, que surgira aliado à vaga contestatária característica dos anos sessenta. Contudo, a origem desta manifestação é atribuída a Françoise Giroud, em meados de 1958, através da revista L’Express.
Apesar da actual aclamação deste estilo, o momento do seu surgimento caracterizou-se por uma ausência de apoio financeiro e pela juventude dos seus autores, que pretendiam fugir aos padrões vigentes no cinema comercial.
Como sabemos, o período do pós-guerra fora extremamente conturbado, sendo tal espírito manifestado nas mais diferentes áreas artísticas. Assim, vários jovens e críticos uniram-se, com o objectivo de repor o destaque do director sobre o roteirista, regressando à tradição que se mantivera no cinema francês até 1930.
As linhas que marcaram todo este movimento assentaram na própria ruptura com os moldes estabelecidos, sendo que a ausência de moral, expressada nos diálogos e nos próprios modelos de montagem, se tornara o expoente máximo desta vertente.
Embora o marco inaugural seja, claramente, “Le Beau Serge”, de Claude Chabrol, rapidamente outros filmes surgiram, sendo que todos estes cineastas reprovavam o trabalho de grandes argumentistas franceses, como por exemplo Jean Delannoy, Christian-Jacque, Gilles Grangier, Aurenche e Bost, elevando, simultaneamente, os mestres do “film noir”, Jean Renoir, Robert Bresson, Jacques Tati e Jean Vigo.
Também figuras como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabrol e Eric Rohmer contribuíram para o impulsionamento desta corrente, através das críticas que desenvolveram na revista “Cahiers du Cinéma”, na qual teorizaram sobre as exigências de um cinema de autor.
Posteriormente, diferentes caminhos foram seguidos por estes mesmos criadores. Godard continuara o seu cinema experimental e com argumentos pretensiosos, enquanto Truffaut optara por uma veia mais classicista, obtendo um alargado número de admiradores. Por outro lado, Alain Resnais fora consolidando a sua fama de Guru, tendo sido o autor de dois importantíssimos filmes, “O Último Ano em Marienbad” e “Providence”, no campo do “Cinema de Autor”.
A influência a nível mundial deste movimento tivera também o seu manifesto nos Estados Unidos da América, especialmente através dos realizadores da “Nova Hollywood”. A homenagem prestada a esta vaga iniciara-se com “Bonnie and Clyde” de Arthur Penn, prologando-se até ao fim dos anos sessenta até aos anos setenta.
Os cineastas Nouvelle Vague ficaram então conhecidos como os novos turcos, sendo que se reuniam em cineclubes de modo a discutirem as obras americanas. Este movimento apresenta-se assim como fortemente marcado pela ruptura com o cinema de estúdio, ou seja, com o modelo mais reconhecido no território francês durante a década de 40.
Em suma, a Nouvelle Vague incorpora estilos e posturas Pop Art, unindo-as ao teatro épico, utilizando textos de Balzac Manet e Marx. Assim, torna-se possível encontrar neste movimento um misto de questionamento, erotismo e romantismo.
Texto de Inês Cardoso
Inês Cardoso,
29/03/2011

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