quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

#04

Primórdios da História do Cinema

Embora não seja possível atribuir uma data exacta para o aparecimento da 7ª Arte, sabemos que o dia 28 de Dezembro de 1895 representa, sem dúvida, um grande marco na história do cinema, devido ao facto de ter ocorrido a apresentação pública do Cinematógrafo, por parte dos irmãos Lumière, no Salão Grand Café, em Paris. “L’Arrivée d’ún Train à La Ciotat” causara então grande agitação em todos os presentes, alastrando-se a notícia com bastante rapidez. Considera-se hoje que, este foi não só um ponto de partida, mas também um factor extremamente crucial, para tornar este novo modelo de arte numa indústria multimilionária.
No entanto, apesar de este acontecimento consistir na primeira projecção paga, o que faz com que muitos acreditem que este fora o surgimento do cinema, histórias americanas atribuem um maior mérito a Thomas Edison. Contudo, a realidade é que esta figura apenas exibiu pequenos vídeos em máquinas caça-níquel, sendo contra a exibição de filmes em salas de grande dimensão.
Apesar de o cinema hoje consistir em projecções públicas de imagens animadas, é necessário compreender que este deve o seu nascimento a variadíssimas inovações, entre as quais o domínio fotográfico e a síntese do movimento, utilizando a persistência da visão com a invenção de jogos ópticos. Podemos então dar destaque a alguns, como por exemplo o Thaumatrópio, inventado por William Fitton, o Fenacistoscópio, criado por Joseph-Antoine Ferdinand Plateau, o Zootropo, da autoria de Will George e, por fim, o Praxinoscópio, produzido por Emily Reynaud, figura que começara também, em 1888, a projectar imagens no Musée Grévin durante um período de 10 anos.
 Em 1876, Muybridge procedeu a uma experiência, na qual colocou 12 câmaras fotográficas e posteriormente 24, ao longo de um hipódromo, tirando várias fotografias da passagem de um cavalo. Assim, obteve a decomposição do movimento em várias fotos, recompondo o movimento através da utilização do zoopraxinoscópio. Alguns anos depois, Étienne-Jules Marley melhorou o aparelho de Muybride e, Louis Aimée Augustin Le Prince filmou uma cena de aproximadamente 2 segundos, cuja fragilidade do papel utilizado levou a que a projecção ficasse inadequada.
Will, Kennedy, Laurent e Dickson, chefe engenheiro da Edison Laboratories, inventou uma celulóide que, contendo uma sequência de imagens, viria a ser a base para a fotografia e projecção de imagens em movimento. Mais tarde, no ano de 1891, Thomas Edison inventou o cinetógrafo e, posteriormente, o cinetoscópio, que consistia numa caixa movida a electricidade, na qual encontrávamos a película inventada por Dickson, mas com funções limitadas, não sendo capaz de projectar filme.
Foram então, indubitavelmente, os irmãos Lumière, que trouxeram ao mundo os primeiros registos do cinema amador. Assim, “Sortie de L’usine Lumière à Lyon” constitui o primeiro audiovisual exibido na história, sendo que nesse mesmo ano, produziram também a comédia “The Sprinkler Sprinkled”. Nessa mesma altura, cerca de seis meses depois, Edison viria a projectar o seu primeiro filme, intitulado de “Vitascope”.
Apesar de toda esta sequência maciça de inovações é, no entanto, importante compreender que até à década de 1920, nunca nenhum produtor conseguira sincronizar a imagem e o som de um modo correcto, o que levara a que, no decorrer dos anos 30, os filmes fossem praticamente silenciosos. No fundo, estes eram apenas acompanhados de música ao vivo ou de eventuais efeitos especiais, narrações ou diálogos escritos.

Texto de Inês Cardoso


Inês Cardoso,
15/12/2010

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